BANQUEIRO CARIOCA PREVÊ QUE SÓ RESTARÁ O CALOTE PARA O FUTURO GOVERNANTE

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“É um drama brasileiro”, disse o economista Istvan Karoly Kasznar, professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV) sobre o texto amplamente divulgado do ex-banqueiro Luiz Cezar Fernandes, criador do Pactual e do Garantia. O texto publicado no perfil da rede social Linkedin de Luiz Cezar nesta quarta-feira (23) alerta para o crescimento da dívida pública interna, que segundo ele, atingirá 100% do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil, já na posse do próximo governo.

Economistas analisaram o texto e, apesar de ressaltaram que é importante ter cuidado com discursos alarmantes, não desmentiram as projeções do ex-banqueiro.

“A observação do Luiz é no sentido de uma lamúria que quer alertar para o estado gravíssimo que chegamos no Brasil. Ele está correto. Insensível está sendo o Poder Executivo federal e o conjunto de poderes Legislativo e Judiciário do Brasil”, completou Istvan.

“Quando existe uma claque que se tornou dona do estado, através de 2 milhões de cargos públicos, com legislação em causa própria, torna-se impossível criar mudanças necessárias”, reforçou o economista.

No texto, Luiz Cezar afirma que um defaut na dívida interna do país implicará na falência do sistema, o que atinge grandes bancos e pessoas físicas. “Para evitarem uma corrida bancária, as grandes instituições bancárias terão, obrigatoriamente, que impedir seus clientes de efetuarem os saques de suas poupanças à vista ou a prazo”, escreveu o ex-banqueiro.

“É preciso ser muito cuidadoso. Tons alarmistas não são recomendáveis, lembrando que há uma enorme diferença entre a data presente e a projeção de um valor para o futuro. Até lá, espera-se que os agentes e autoridades econômicas se ajustem”, ponderou Istvan. O economista reforçou ainda que o mesmo alarmismo conscientiza para a tomada de medidas urgentes, a fim de evitar o déficit fiscal que é “realmente assustador”.

“Existem privatizações em curso. A medida que isso acontece, o déficit cai. Além disso, a taxa de juros também está caindo. O grande equívoco é aumentar impostos. Isso causa mais recessão, reduz o poder aquisitivo da população e empresas, diminui a demanda agregada e puxa para baixo a necessidade de produção, ou seja, é queda de arrecadação de imposto”, disse Istvan, acrescentando: “Não dá para pagar tanto imposto. Enquanto o mundo inteiro está reduzindo, o Brasil aumenta. Nós estamos contra a globalização”.

O ex-ministro da Economia Delfim Netto não chegou a ler o artigo, mas admitiu que o prognóstico é realmente muito preocupante: “A dívida pública representa hoje 75% do PIB. E a cada ano estamos perdendo mais 10%. Se a crise acelerar e as reformas não forem aprovadas, o país pode sim entrar num cenário econômico muito grave”.

Luiz Cezar afirma que um defaut na dívida interna do país implicará na falência do sistema, o que atingirá grandes bancos e pessoas físicas

Já o economista da Universidade Veiga de Almeida (UVA) Ricardo Maluf destaca a crise política e seu impacto na economia. “O grande problema é a notória incapacidade do governo, já bastante desgastado por causa de escândalos, de implementar reformas justas sem ceder nas suas estruturas, por apoio político ou pela possível aprovação dessas reformas. Temos um problema político sério, e talvez o grande causador da piora econômica. É difícil esperar reformas honestas diante de um governo de tão baixa aceitação. Porque é claro que precisamos de reformas.”

Ele prossegue: “O cenário atual já está repleto de incertezas causadas pela dependência elevada da economia com a política, e com a falta de previsibilidade nas decisões da justiça do Brasil. Uma notícia forte, nesse momento, pode causar um comportamento de manada – que significa que mesmo que não vá acontecer, acaba acontecendo – ou seja, uma corrida aos bancos, o que não vai melhorar em nada.”

Para Maluf, é necessário “urgentemente” encaminhar reformas “que sejam honestas”, e assim retomar o crescimento sustentável do país.

Tanto para Ricardo Maluf quanto para Istvan Karoly Kasznar, as mudanças necessárias só não são efetivadas por causa da instabilidade política que ainda domina o Congresso Nacional.

Leia, na íntegra, o texto do Luiz Cezar Fernandes publicado no Linkedin:

Aperte o bolso: o calote vem aí*

O próximo governo se sentirá seduzido, inevitavelmente, por um calote na dívida pública.

O crescimento da dívida pública interna atingirá 100% do Produto Interno Bruto – PIB do Brasil, já na posse do próximo governo. A situação será insustentável, gerando uma completa ingovernabilidade. Os bancos, hoje cartelizados em 5 grandes organizações, têm diminuído assustadoramente os empréstimos ao setor privado e vêm aumentando, em proporção inversa, a aplicação em títulos da dívida pública. Os países que recentemente entraram em default, como a Grécia, não causaram grandes impactos internos, pois sua dívida era sobretudo externa e em grande parte pulverizada, inclusive em bancos centrais, fundos mútuos e de pensão. O caso do Brasil é essencialmente diverso. Um default nossa dívida interna implicará na falência do sistema, atingindo de grandes bancos a pessoas físicas, passando por family offices e afins. Para evitarem uma corrida bancária, as grandes instituições bancárias terão, obrigatoriamente, que impedir seus clientes de efetuarem os saques de suas poupanças à vista ou a prazo. Caso contrário, teremos uma situação ainda mais grave que a vivida pela Venezuela.

Reformas já ou só restará o calote!

*Luiz Cezar Fernandes

PUBLICADO PELO ” JORNAL DO BRASIL” ( BRASIL)

A RELAÇÃO CARNAL ENTRE O GOVERNO TEMER E AS EMISSORAS DE TV DE TODO O PAÍS

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O Mercado delirou quando Michel Temer anunciou sua equipe econômica logo após a tomada da presidência da República. Um economista da Goldman Sachs chegou a dizer que estava sendo montando “um verdadeiro dream team de gente muito qualificada e com experiência muito relevante e rica.”

Miriam Leitão, colunista global e fã número 1 do “dream team”, dizia que este era o ponto forte do governo e não se cansou de elogiar as estrelas que comandariam a economia brasileira. Fernando Henrique Cardoso comemorava o fato de que finalmente tínhamos “um governo que tenta pôr a casa em ordem”.

Michel Temer também passou boa parte do governo jogando com a carta da economia em declarações públicas. Para tirar o foco da lama na qual patina, dizia à exaustão ter responsabilidade com a economia do país, chegando ao cúmulo de anunciar o fim da recessão.
Michel Temer ✔ @MichelTemer

Acabou a recessão! Isso é resultado das medidas que estamos tomando. O Brasil voltou a crescer. E com as reformas vai crescer mais ainda.
09:25 – 1 de jun de 2017
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Pois bem. Henrique Meirelles, o capitão do dream team, anunciou essa semana um rombo de R$159 bilhões nas contas públicas para 2017 e 2018. O sonho virou pesadelo. Miriam Leitão parece que ficou bastante decepcionada e admitiu que Temer pode “entregar ao país um número muito pior do que o pior momento do governo Dilma.” Um espanto!

Para compensar o rombo, o governo intensificará ainda mais seus esforços na aprovação da reforma da Previdência. A coluna Painel da Folha informou na última quarta-feira que Temer tem se reunido com emissoras de TV para pedir apoio, como se preciso fosse:

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Este dream team midiático está alinhadíssimo ao governo, principalmente no que diz respeito às reformas, estamos carecas de saber. Já não nos escandalizamos com o fato de concessões públicas estarem sendo utilizadas para defender interesses privados e sufocar qualquer debate sobre a reforma da Previdência, um tema de grande importância para o futuro do país.
Por essa pauta em comum, até a Globo voltou a se reunir com Temer. A empresa parece ter se conformado com a derrota no braço de ferro depois do arquivamento da denúncia contra o presidente na Câmara.

Essa agenda não é novidade. Encontros do governo com representantes de grandes grupos de mídia só não são mais frequentes que as reuniões entre Temer e Gilmar Mendes fora da agenda.

Em 2015, durante o governo Dilma, as emissoras tiveram cortes drásticos no recebimento de verbas publicitárias. No total, foram cortados R$ 591,5 milhões, uma queda de 34% em relação a 2014. A TV Globo foi a que mais sofreu, perdendo R$ 206,3 milhões em propagandas. O SBT foi a segunda emissora mais prejudicada, passando de R$ 172,7 milhões em 2014 para R$ 115,4 milhões em 2015 , uma queda de 33%.

Desde o início do seu governo, Temer vem mantendo uma relação frutífera com grandes grupos de mídia, especialmente os detentores de emissoras de TV, que ainda são a principal fonte de informação dos brasileiros. A seguir, tentarei traçar um resumo histórico, levantando os principais episódios dessa relação que parece mais uma parceria público-privada.

junho 2016 — logo no primeiro mês de governo, Temer aumentou em 50% os gastos em publicidade em relação ao mesmo mês do ano anterior. Esse aumento se refere a todos os tipos de mídia, não apenas às emissoras de TV.

dezembro 2016 — quando se iniciava especulação sobre sua queda, Temer convidou João Roberto Marinho, vice-presidente das Organizações Globo, para um jantar no Palácio do Jaburu e se queixou do tom negativo do noticiário na cobertura da Lava Jato. “Eles noticiam caixa 2 como se fosse homícidio”, teria dito um integrante do Planalto.

março 2017 — Temer sanciona sem quase nenhum veto a MP 747, que, apesar de ser apresentada como medida desburocratizadora, na prática confere ainda mais liberdade aos grandes empresários de rádio e TV. Ela confere anistia nos prazos de renovação de outorgas, libera a troca dos proprietários sem a necessidade de autorização do governo, e exclui do texto da lei a necessidade de cumprimento de “obrigações legais e contratuais” e o atendimento “ao interesse público”. A medida foi comemorada pela Abert (Associação Brasileira das Emissoras de Rádio e TV) — presidida por Paulo Tonet, executivo da Globo — como a “maior vitória dos últimos 50 anos”.

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Temer e Kassab são aplaudidos por Paulo Tonet, presidente da Abert e executivo da Globo, durante cerimônia da lei que beneficiou os grandes empresários de mídia. (Foto: Beto Barata/PR)

abril 2017 — enquanto anuncia cortes que prejudicam os mais pobres, Temer vira Sílvio Santos e passa a jogar dinheiro para o alto perguntando para os empresários de mídia “quem quer dinheiro?”. Todos os veículos de comunicação que aderiram à campanha a favor da reforma da Previdência ganharam verbas de publicidade. Locutores e apresentadores populares foram recrutados para explicar a reforma sob um olhar governista. Os agraciados pelas verbas foram indicados por deputados e senadores.

— Temer se encontra com Sílvio Santos. No dia seguinte, o SBT passa a veicular mensagens aterrorizando a população sobre a urgência da reforma. Outro apresentador popular da emissora, Ratinho, inicia intensa campanha pelas mudanças propostas por Temer para a Previdência.

maio 2017 — logo após a Globo pedir expressamente a renúncia de Temer em editorial, Moreira Franco se reuniu com João Roberto Marinho na tentativa de acertar uma trégua, mas não obteve sucesso.

— a TV Band, que teve 1129% de aumento no recebimento de verbas publicitárias, publicou um editorial vergonhosamente chapa-branca logo após a divulgação dos áudios das conversas entre Temer e Joesley: “o Brasil continua precisando seguir o seu rumo – finalmente claro e eficiente – adotado pelo atual governo, depois de anos de insensatez. O país quer seguir adiante e não abre mão de persistir na recuperação já iniciada da economia e dos empregos. Esclarecidas todas as dúvidas, a Band espera e acredita que possa o presidente Temer dar sequência às medidas que, de fato, atendam os interesses dos brasileiros”.

junho 2017 — Grampos mostraram Aécio Neves e Moreira Franco negociando com alto executivo da Record uma entrevista com Temer em troca de um patrocínio da Caixa. Tudo feito com a anuência do presidente.

julho 2017 — diferente do que ocorreu no dia da votação pelo impeachment de Dilma na Câmara, nenhuma emissora além da Globo transmitiu a votação em que foi arquivada a denúncia contra Temer.

Regada por jantares, telefonemas, MPs, editoriais, verbas publicitárias e algumas rusgas, a relação de Temer com a grande mídia é carnal e compromete a liberdade de imprensa. Aproveitando a atual promiscuidade das instituições brasileiras, talvez seja o caso de oficializar as grandes empresas de mídia como o quarto poder, que não terá nada de moderador.

Me parece que essa nova rodada de reuniões com diretores das emissoras noticiada pela Folha é apenas para fidelizar o relacionamento e traçar novas estratégias para a aprovação de uma reforma que não será fácil. É uma reunião apenas para “manter isso aí, viu?”.

 

JOÃO FILHO ” THE INTERCEPT” ( EUA / BRASIL)

UM MANDATO DE DEPUTADO PARA MICHEL SE LIVRAR DA LAVA JATO

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FOTO DE ORLANDO BRITO

O que tanto discutem Michel Temer e Gilmar Mendes sobre o tema “semipresidencialismo”? Hoje à tarde, mais uma vez, o ministro do STF e presidente do TSE foi recebido no Planalto e a desculpa dada foi esta: discutir o novo sistema de governo.

Insólito, estranho e inoportuno, já que a mudança no sistema de governo depende de uma hipotética votação no Congresso e de um obrigatório plebiscito popular, e só poderia ser implantada para os próximos presidentes.

O que então tanto falam esses dois? Uma raposa da política que se dá bem com ambos aposta que, mais do que na mudança para um semiparlamentarismo, Michel e Gilmar estão pensando num jeito de o presidente da República manter sua prerrogativa de foro no STF a partir de 2019. Traduzindo, escapar de Sérgio Moro.

Como? Ou com uma mudança que estenda o benefício a todos os ex-presidentes, levando Lula junto, ou – ideia mais recente – com um mandato de deputado para Michel Temer.

Na emenda parlamentarista, vai ser preciso incluir algum dispositivo que permita ao presidente disputar um outro cargo, o de deputado, sem deixar o seu durante a campanha para cumprir o prazo de desincompatibilização, a partir do fim de março de 2018.

 

HELENA CHAGAS ” BLOG OS DIVERGENTES” ( BRASIL)

UM SOCO, NO PAÍS DA DELICADEZA PERDIDA…..

 

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Em 2013, o cineasta Walter Salles dirigiu, para uma rede de televisão francesa, um belíssimo documentário com Chico Buarque intitulado “O país da delicadeza perdida”. Tendo como base o show que Chico fazia na época, o filme vai mostrando em paralelo a escalada de violência e o aumento da miséria no Rio de Janeiro.

Fazia parte do repertório de Chico no momento “Estação Derradeira”, aquela porrada que diz: “Rio do lado sem beira/ Cidadãos/ Inteiramente loucos/ Com carradas de razão/ À sua maneira/ De calção/ Bandeiras sem explicação/ Carreiras de paixão danada”.

Se naquele momento, a “delicadeza perdida” referia-se à criminalidade e à desigualdade, hoje ela parece um prenúncio do clima hostil que invadiu tudo no país, especialmente a discussão política. O próprio Chico tem sido uma das principais vítimas desse quadro, onde as pessoas sentem-se autorizadas a fazer a cruel, injusta e idiota mistura da discordância política com a avaliação da obra de um artista. Pela forma como Chico posiciona-se politicamente, relativiza-se a qualidade da sua obra. Diminui-se o artista para diminuir o cidadão.

Curioso é que agora, mais recentemente, Chico tenha se tornado alvo também de certa esquerda, que enxerga machismo nos versos da sua recente canção “Tua cantiga”. Precisou vir de Portugal, de João Miguel Tavares, no jornal Público, um artigo que, pela análise distante das nossas emoções políticas, resume nosso atual estágio de indigência intelectual.

João Miguel Tavares observa que a tendência à literalidade e à falta de tolerância no momento aproximam no Brasil os pensamentos de esquerda e de direita. Viramos todos um bando de idiotas que se comportam como religiosos fervorosos apegados aos nossos dogmas, sem qualquer capacidade de discussão, justamente num momento em que o país precisa, anseia, de uma discussão equilibrada para sair da encalacrada em que se meteu.

“Num mundo onde as palavras estão sob uma vigilância que já não se via desde os tempos da Inquisição, não só uma simples canção ficcional passa a ser um manifesto machista, como a argumentação alegadamente ‘feminista’ e ‘empoderada’ é ridiculamente parecida com a do Catecismo da Igreja Católica”, observa João Manuel.

Por enquanto, o ódio contra Chico consubstancia-se apenas em palavras atiradas pelas redes sociais. Complicado mesmo fica quando esse ódio vira literalmente um soco certeiro, que corta o supercílio e faz correr quente o sangue sobre os olhos. Como aconteceu com a professora Marcia Friggi, em Santa Catarina. A professora foi atingida por um aluno, um rapaz de 15 anos, simplesmente porque, segundo ela, tirou dele um livro que estava debaixo da mesa e pediu que ele mantivesse o foco na aula.

Depois do soco, porém, a professora começou a ser agredida nas redes sociais por pessoas que diziam que a agressão do aluno contra ela era “merecida”. Porque ela tinha, dias antes, manifestado também nas redes sociais apoio a alguém que tinha jogado um ovo em Jair Bolsonaro.

Fecha-se dessa forma triste o ciclo da “delicadeza perdida”. Porque Chico apoia Lula e o PT, toda a sua obra merece ser diminuída e seu trabalho execrado por quem se opõe a Lula e ao PT. Porque Chico cria um personagem apaixonado que admite largar “mulher e filhos”, sua obra merece ser execrada pelas mulheres ligadas ao movimento feminista.

Porque defende posições de extrema direita, não basta a Bolsonaro ser rejeitado nas urnas: ele merece ser alvo de ovos atirados contra ele. Por defender que se joguem ovos em Bolsonaro, uma professora merece levar um soco de seu aluno somente porque está procurando fazer seu trabalho como educadora.

Viramos “cidadãos inteiramente loucos, com carradas de razão”…

RUDOLFO LAGO ” BLOG OS DIVERGENTES” ( BRASIL)

VENDEM UM PATRIMÔNIO DO PAÍS E CRIAM UMA UMA OPORTUNIDADE PARA O CAPITAL INTERNACIONAL

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Há uma grande expectativa no mundo inteiro sobre a chamada de capital que a Eletrobras estará oferecendo ao mercado nos próximos dias. Impropriamente denominada privatização, a venda de ações da estatal brasileira é encarada nos meios de investidores institucionais como a retomada de um leque de parceiros importantes, que são as estatais brasileiras negociadas nas bolsas internacionais.

Havia mesmo certa impaciência com a demora do Brasil de voltar a captar capital para suas empresas, depois que os desvios de conduta foram devidamente equacionados judicialmente, como no caso da Petrobras. Não é incomum uma empresa negociada em bolsas internacionais apareça com prejuízos. Isto é parte do jogo capitalista. Importante é que a fiscalização aconteça e tire do mercado os profissionais delinquentes.

Se o mercado reagir positivamente, dando um aval de credibilidade à ação saneadora da Justiça Brasileira, os cofres dos grandes investidores mundiais vão se abrir para as empresas governamentais brasileiras que estão no mercado de capitais pelo mundo afora. Depois das estatais, também as privadas de capital aberto poderão voltar aos poucos aos pregões das grandes bolsas.

Está sobrando dinheiro, no mundo, para investimento de longo prazo, com até 30 anos. Os administradores dessas instituições de investimento são gestores de fundos de aposentadoria do Primeiro Mundo, na sua maior parte.

Os Pension Founds norte-americanos são conhecidos há décadas, mas nos últimos 15 anos a previdência europeia, tradicionalmente estatal, vem migrando do sistema tradicional de contribuição e benefícios definidos, para o modelo de capitalização, que está substituindo gradual e segura, mas não lentamente, o antigo sistema de solidariedade entre gerações pelo de carteira própria de cada trabalhador.

Mesmo no Brasil, atualmente, a principal fonte de investimentos de capital de longo prazo vem da previdência privada de funcionários de estatais ou de grandes empresas nacionais. Os europeus, diante do envelhecimento acelerado da população, já vêm botando as barbas de molho, criando uma base mundial para garantir a saúde futura de seus sistemas previdenciários.

O Brasil, atualmente, por esse ponto de vista de investidores de longo prazo, é um dos mercados mais atraentes. O País está chamando infraestrutura.

Milhões de toneladas de produtos agrícolas e industriais que podem abastecer populações pobres ou ricas mundo afora, cada qual mais faminta de mercadorias, que estão cultivadas e fabricadas aqui a mais de um milhar de quilômetros das saídas, portos e aeroportos (na era dos grandes aviões este transporte ficará competitivo).

Não temos estradas nem portos para escoar e embarcar. Há aí uma receita enorme em tarifas, pedágios e outras forma de ressarcimento à espera de oportunidades para dinheiro ocioso.

Gerando um PIB maior que trilhão de dólares, número do Século XXI, o Brasil ainda se movimenta numa rede de transportes construída em meados do século passado, na virada dos anos 60 para os 70, quando tinha uma de exportação alicerçada em café e minério de ferro.

A Eletrobras é uma boa isca. O operador vê que a falta de investimento deriva de políticas de preços equivocadas do acionista controlador, algo que pode ser rapidamente revertido.

Os ativos oferecidos são atraentes: geradoras diversificadas: hidrelétricas, eólicas, solares (poucas ainda), termelétricas alimentadas por todos os combustíveis: petróleo, carvão, nuclear e biomassa. Distribuição integrada em todo o território nacional¸ com garantia de recebíveis de duas centenas de milhões de consumidores. Falta investimento em modernização, distribuição e novas plantas.

No ar, soprando vento contrário, a desconfiança no presente. Terá esse governo que aí está, o acionista, condições de garantir o dinheirinho das viúvas do Primeiro Mundo? Será criado um arcabouço legal que ofereça tais garantias, nas mãos de um congresso em grande parte controlado por causas e corporações? Estará a Eletrobras limpinha para voltar às bolsas internacionais? A Lava Jato pegou contra ou a favor? Veremos nos próximos dias.

JOSÉ ANTÔNIO SEVERO ” BLOG OS DIVERGENTES” ( BRASIL)

LUIS NASSIF: ” ESTÃO ASSALTANDO O PAÍS COM A VENDA DA ELETROBRAS”