UMA LIÇÃO PARA OS BRASILEIROS: JORNAL ELETRÔNICO QUE PAGA SUAS CONTAS E AINDA DÁ LUCRO. ISSO ACONTECE NA FRANÇA

mediapart

“Mediapart” tem foco em reportagens investigativas e análises equlibradas

Veículos de comunicação, da nova e da velha mídia, quebram a cabeça para pagar as contas em tempos de internet. O “Mediapart”, jornal eletrônico lançado em 16 de março de 2008, encontrou uma solução. Paga as contas e passou a dar lucro.

Receita: informações relevantes em primeira mão (furos) e análises e opiniões fundamentadas e equilibradas no acalorado debate público francês.

Atualmente, o “Mediapart” é o veículo de maior repercussão na França. Ao contrário dos jornais tradicionais, que ainda mantém prestígio, ele não depende de subvenção pública. O Mediapart não aceita subsídios do governo. Vive das 130 mil assinaturas que alcançou em 2017. A composição acionária é formada por quatro fundadores (36,71%), jornalistas da casa (1,28%), um fundo de amigos da publicação (15,99%) e duas empresas investidoras (46,02%).

O jornal foi criado por dois jornalistas renomados do Le Monde, Edwy Plenel e François Bonnet. Funcionou no vermelho em 2009 e 2010. Entrou no azul a partir de 2011. Perdeu dinheiro na virada de 2014 para 2015. Terminou o ano passado com lucro de quase dois milhões de euros.

Os assinantes pagam 11 euros por mês se tiverem mais de 25 anos. Para jovens até essa idade e aposentados, a assinatura custa 5 euros mensais.

Uma seção importante, “O Clube”, abriga blogs dos leitores. A moderação é feita posteriormente. Se é publicado algo considerado ofensivo pela linha editorial, o leitor recebe uma advertência. Na segunda reprimenda, o blog é cancelado. Hoje, há cerca de 40 mil blogs _aproximadamente 500 foram interrompidos.

O diretor editorial, François Bonnet, diz que o leitorado é diversificado do ponto de vista ideológico, com peso maior para um público de esquerda. “Mas temos leitores de extrema-direita também”, afirma.

As informações exclusivas são o carro-chefe da publicação, que é diária. Vídeos longos, com debates de interesse público, têm dado certo. O lucro é reinvestido no jornal. No lançamento, eram 24 jornalistas e 8 pessoas na administração, comercial etc. Hoje, esse número subiu para, respectivamente, 45 e 29 pessoas.

O “Mediapart” tem versões em francês, espanhol e inglês. O lema do jornal é: “Somente nossos leitores podem nos comprar”. Fazer jornalismo de qualidade custa caro mesmo. Não é barato. Os leitores do jornal entenderam que isso tem um valor que consideram imprescindível. Vale conhecer. Veja aqui.

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“42” e Paris-2024

O governo francês organizou um programa com duração de uma semana para jornalistas do Brasil que trabalham na internet. O tema é “A Inovação na França”. Além da visita ao Mediapart, o grupo de cinco brasileiros, entre os quais o autor deste blog, esteve hoje na “42”, uma escola de informática, e no comitê da candidatura de Paris para sediar os Jogos Olímpicos de 2024.

Na “42”, há um projeto bancado por um bilionário, Xavier Niel, que criou um fundo de 100 milhões de euros para financiar durante dez anos a formação de 10 mil alunos. É dedicado a jovens até 30 anos que queiram desenvolver projetos em informática.

Muitos estudantes vêm da periferia parisiense e também do interior francês, mas há também quem chegue de Porsche à escola. Em geral, eles concluem o curso em três anos. Recebem um certificado, que não é reconhecido como diploma legal pelas autoridades educacionais. No entanto, acabam arrumando empregos com remuneração acima da média, segundo Fabienne Haas, diretor de comunicação e relações empresariais da escola.

No comitê da Paris-2024, Gianluca Pesapane, um pariense filho de pai italiano, fez uma apresentação da candidatura olímpica. Ele esteve no Rio para acompanhar o Carnaval e a Copa de 2014. Queria torcer para o Flamengo a fim de fazer amigos mais facilmente, mas acabou ficando chapa de um vascaíno e virou torcedor do time de São Januário.

Paris compete com Los Angeles para sediar os Jogos Olímpicos de 2024. O enfoque da candidatura reside na ideia de uma cidade em que o compartilhamento é uma realidade do espaço público e do cotidiano dos cidadãos.

Os defensores de Paris sabem que Los Angeles tem Hollywood como cabo eleitoral, mas apostam na funcionalidade da cidade (transporte público eficiente e hotelaria para todos os bolsos), com um evento concentrado no deslumbrante centro histórico, para ter o direito de sediar os jogos de 2024, cem anos depois da última Olimpíada. Os jogos de 1900 e 1924 aconteceram na Cidade Luz.

KENNEDY ALENCAR “BLOG DO KENNEDY” BRASIL / FRANÇA )

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