A FOLHA NA ERA DA PÓS-VERDADE

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Ontem a Folha lançou sua nova versão do projeto editorial. Sob o título “Jornalismo profissional é antídoto para notícia falsa e intolerância” (https://goo.gl/6GeZEF). O manual lista 12 princípios editoriais, dentre os quais

Há uma demanda mal atendida por informações proveitosas e inspiradoras, sem prejuízo da prioridade dada a enfoques críticos e à busca da notícia exclusiva.

As reportagens deveriam ser mais conclusivas, indicando, quando viável, prós e contras das soluções para os problemas apontados.

Com 11 anos de atraso, finalmente cai a ficha. Não faltaram alertas do suicídio editorial que significaria um jornal líder do mercado de opinião ir a reboque do pior jornalismo já praticado no Brasil, a pós-verdade da Veja, introduzido por Roberto Civita para enfrentar a entrada de novos concorrentes.

Quando o discurso de ódio tomou conta de toda a mídia, se a Folha ousasse repetir o contraponto dos anos 80 entraria na era digital com a credibilidade renovada.

Em vez disso, quando surgiu o tal “jornalismo de esgoto”, a Folha foi atrás de Veja sem o menor senso crítico, sem a menor noção de auto-estima, com um complexo de inferioridade fatal.

Todas as maluquices de Veja foram emuladas pela Folha, desde a ficha falsa de Dilma no DOPS ao escândalo da tapioca, o assassinato de reputação de juíza que votou contra Daniel Dantas às denúncias de um “consultor”, Rubnei Quícoli, saído da prisão há menos de um mês por prática de estelionato e transformado em um consultor honesto, que recusou um financiamento de R$ 7 bilhões do BNDES por negar a pagar propina de R$ 5 milhões.

De jornal amado pelos jovens progressistas, admirado pela esquerda e respeitado pela centro-direita, tornou-se alvo de ódio generalizado das esquerdas, de desconfiança dos leitores mais críticos e um pastiche, veículo secundário para a ultradireita.

Antes, perdoava-se a Folha até pelo carbonarismo juvenil. Quando passou a propagar o ódio, perdeu seus melhores leitores. Jogou fora o enorme salto editorial representado pela campanha das diretas e pelo seu apogeu, nos anos 90.

Mais que isso: matou toda a proatividade dos seus jornalistas. De jornal que se orgulhava de ser a cara multifacetada de colunistas de diversas linhas, representando os ares de modernidade que nasceram com o fim do regime militar, tornou-se veículo de discurso único, com os colunistas de caráter mais sólido tendo de recuar, para não abrir mão da dignidade, e de caráter mais frágeis se transformando em pitbulls para seguir os ventos emanados do 6o andar.

Foi um erro que custou caro ao jornal. E mais caro ainda ao país. Nesses anos todos, a Folha poderia ter sido um farol no meio da tempestade. Agora, tenta buscar uma vela para se livrar da escuridão.

Que seja bem sucedida.

LUIS NASSIF ” JORNAL GGN” ( BRASIL)

 

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