QUANDO A REDE GLOBO NÃO MONOPOLIZAVA AS NOTÍCIAS

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Os escândalos envolvendo empreiteiras e políticos brasileiros, que estão vindo à tona nos últimos meses, chocam a sociedade. Altas cifras, favorecimentos e acordos surpreendem o povo, que sofre as consequências da grave crise. Mas um olhar mais atento ao passado mostra que estas práticas não são uma novidade. Pelo contrário. Parecem ter sempre feito parte da relação entre empreiteiros e o mundo político. Aliás, no mundo empresarial os atores são os mesmos, há décadas. A única coisa que muda são os políticos.

E agora, diante dos acordos de leniência que estão sendo firmados (uma espécie de delação premiada para as empresas), o que esperar do futuro? Elas assumem seus crimes, se livram das punições e voltam a participar de licitações com o poder público.

Em 1993, a CPI do Orçamento, realizada no Congresso Nacional, desvendou um esquema de corrupção envolvendo empreiteiras e políticos, com base em documentos recolhidos pela Polícia Federal na residência de um diretor da Odebrecht. Na época, descobriu-se que uma holding formada por 12 construtoras, comandada pela Odebrecht, garantia a divisão equitativa das obras realizadas com recursos do Orçamento entre as empreiteiras. As licitações eram fraudadas ou previamente acertadas, e a vencedora repassava 36% do valor da obra à holding.

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Em 1993, CPI do Orçamento revelou esquema de corrupção envolvendo empreiteiras e políticos

Entre as participantes do esquema estavam algumas das mesmas empreiteiras cujo envolvimento na Operação Lava Jato é de conhecimento de todos: OAS, Queiroz Galvão, Andrade Gutierrez, Camargo Corrêa e a própria Odebrecht.

Parece uma história bem familiar para o povo brasileiro.

Tantos anos depois, mesmo com o escândalo estampado nas páginas dos jornais da época, o que mudou? Apenas os políticos envolvidos. Os fatos hoje mostram que as empresas continuaram agindo da mesma forma. Coagem prefeitos, governadores, montam seus cartéis, ditam as regras, corrompem e seguem colhendo suas vantagens.

Basta analisar a evolução patrimonial destas empresas e de seus chefes para constatar como essas práticas foram vantajosas. Se a corrupção rendeu milhões a alguns políticos, imaginem quanto os empreiteiros faturaram.

E agora, mesmo com as denúncias e acusações, não são eles que pagam a pena. São seus funcionários demitidos, e os milhões de desempregados no país que são punidos por causa da corrupção.

Por que a Justiça não sequestra os bens desses executivos? Por que não devolve aos cofres públicos o produto do roubo? Os políticos que foram corrompidos ficam inelegíveis, mas os empresários corruptores seguem, como já faziam há décadas atrás, livres para montar seus esquemas e encher seus cofres.

PUBLICADO PELO ” JORNAL DO BRASIL” ( BRASIL)

 

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