OS NOSSOS RASTROS DE ÓDIO DEMONSTRAM QUE TODOS NÓS ESTAMOS DOENTES

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FOTO DE ORLANDO BRITO

“Rastros de Ódio” (The Searchers), de John Ford, não é apenas um dos melhores westerns de todos os tempos. Trata-se de um dos melhores filmes de todos os tempos. E, por incrível que possa parecer inicialmente, nunca aqueles cenários amarelados, aquelas montanhas do Monument Valley magistralmente filmadas por Ford foram tão parecidas com o Brasil de hoje. “Rastros de Ódio” é a parábola dos nossos tempos.

Dos tempos em que alguém acha justo tatuar a testa de um adolescente. Dos tempos em que alguém acha justo a jornalista Mirian Leitão ser insultada e agredida durante um voo de avião. Quem quiser refletir sobre esses nossos estranhos tempos, recomenda-se acompanhar a saga vivida por John Wayne nesse extraordinário filme.

“Rastros de Ódio” trata da difícil, intolerante, quase impossível, convivência entre os brancos novos habitantes do território norte-americano e os índios, seus antigos habitantes. Uma convivência cheia de preconceitos e ódios recíprocos. De um lado, o personagem de John Wayne, Ethan. Do outro, o cacique Scar, interpretado por Henry Brandon.

Scar, chefe da tribo comanche que é vítima da violência do homem branco que chega às suas terras para tomá-las, assassina a família de Ethan e leva como refém sua sobrinha, Debbie, vivida por Natalie Wood. Ethan inicia, então, uma jornada para encontrar Debbie, ao lado de seu sobrinho Martin, personagem de Jeffrey Hunter. Mas Ethan despreza Martin. Porque ele é mestiço, algo que o forte preconceito de Ethan não pode aceitar.

Na jornada de Martin e Ethan em busca de Debbie, revela-se todo o ódio e preconceito naquela disputa. Na verdade, ambos, Ethan e Scar e os povos que representam, julgam ter razão no ódio que sentem um pelo outro e consideram justificável a violência que exercem como resposta. Ethan chega ao requinte de atirar nos olhos das suas vítimas, conhecedor que é da crença comanche de que eles precisam dos seus olhos para enxergar o caminho na passagem para a outra vida.

Durante todo o filme, pesa no ar o suspense no sentido do que Ethan fará ao encontrar sua sobrinha levada pelos comanches. Ele dá a entender que a matará. Para ele, ela viver ao lado dos índios é algo tão intolerável que não pode ter outro desfecho senão a morte.

O momento do encontro entre os dois é uma das mais lindas cenas da história do cinema. Vale ser vista repetidas vezes por brancos e por índios. E também por coxinhas e mortadelas.

Mas esse não é um site de política? Por que esse cara está aqui escrevendo sobre cinema? Amigo, esse texto trata de política. Ethan, Scar… Bolsonaro, Maria do Rosário… Dilma Rousseff, Michel Temer… Herman Benjamim, Gilmar Mendes… Grupo de petistas ensandecidos e mal-educados, Mirian Leitão… Cuidemos dos nossos próprios rastros de ódio…

 

RUDOLFO LAGO ” BLOG OS DIVERGENTES” ( BRASIL)

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