COMO A ANTIGA UDN GOLPISTA, OS TUCANOS SE DEBATEM NO NINHO

RicardoFerraco-ReformaTrabalhista-Senado-SergioLima-FotoSergioLima-30mai2017

Presidente interino do PSDB, Tasso Jereissati tem tido dificuldades para justificar posição do partido FOTO: SÉRGIO LIMA

Alckmin e Aécio fizeram partido ficar no governo

A INDEFENSÁVEL DEFESA DO PSDB

Então é isto: inconformado com a derrota na mais renhida disputa presidencial após a redemocratização, o PSDB do hoje alvejado Aécio Neves vai ao Tribunal Superior Eleitoral sob a alegação de abuso econômico por parte da chapa Dilma-Temer em 2014. O TSE absolve a chapa em ruidosas sessões e mantém o presidente Michel Temer em sua cadeira no Palácio do Planalto. Passado o julgamento e superados os dias de dúvidas entre desistir ou não do governo, os tucanos decidem ficar. Mas anunciam que vão recorrer da decisão do mesmo tribunal.

Em síntese: para o PSDB, o governo do qual é o principal fiador chegou aonde chegou por abuso econômico. Mas é o que tem. Logo, o apoia. Logo, quer removê-lo. Logo…

Pobre Tasso Jereissati. Tucano da primeira linhagem do partido, responsável pelo notável processo de modernização do Ceará entre os 1980 e 1990 e dono de inquestionável reputação ética, o senador e presidente interino do partido precisou recorrer a contorcionismos para justificar o indefensável.

Mas como Tasso não é um político de arroubos retóricos nem de empulhar a plateia, admitiu com franqueza a incoerência a que os tucanos se submeteram. E reafirmou suas convicções. Tasso não disse, mas prevaleceu a mão pesada de Geraldo Alckmin e Aécio Neves, os maiores responsáveis pela manutenção do casamento com Temer.

O discurso pode ser bonito, adornado pela ideia de que ficaram onde estão diante do risco de que uma saída do PSDB desestabilizasse em definitivo o governo e minasse de vez a condução das reformas na qual acreditam. O recado nos bastidores também pode ser eficiente –segundo o qual Temer não se sustenta por muito tempo no cargo, pois basta um fato novo para ele cair.

Mas, com esse roteiro de ação no TSE, apoio ao governo e decisão de recorrer, fica difícil concordar com Alberto Carlos Almeida, sempre competente em suas análises neste Poder360, para quem a decisão do PSDB de continuar com Temer é “politicamente inquestionável”.

Não é. Ouso discordar de Almeida. As circunstâncias podem até não favorecer o PSDB, mas os gestos tucanos são moralmente indefensáveis e politicamente constrangedores. Concordo com ele que não há um deus da moralidade acima dos homens e dos conflitos capaz de dizer qual a decisão correta.

Ou que é moralmente louvável dar estabilidade a um governo que tenta fazer algumas reformas necessárias para que a economia retome o rumo do crescimento. Ou ainda seu diagnóstico sobre o dilema tucano: se jogasse a toalha e entregasse os postos que ocupa no governo, teria o ônus de apoiar as reformas sem o bônus dos cargos e verbas e poder decisório.

Mas convém perguntar: há capital político (ou, para usar um termo mais claro, legitimidade) para um governo implantar reformas de tal profundidade? Existe hoje na sociedade um consenso mínimo de que essas reformas são legítimas e devem ser conduzidas por este governo?

É moralmente defensável ficar abraçado a um governo que, segundo asseguram alguns tucanos luminares, fatos novos surgirão a ponto de derrubar o mandato de Temer? E, acima de tudo, é politicamente inquestionável manter o apoio sugerindo insistir na tese do abuso econômico de 2014?

Custo a crer em respostas positivas para perguntas do gênero. E mais: só o PSDB parece não ter percebido, ou finge que não percebeu, que o maior núcleo do seu eleitorado –a classe média das maiores cidades– não mais apoia Temer. A vocação do partido, como disse o cientista político Jairo Nicolau, não é ser o PMDB do PMDB.

Recorde-se que, em 1992, o PSDB discutiu durante vários dias se participaria ou não do governo Collor. O partido se inclinava pela participação, mas a dúvida era cruel –a ponto de tucano virar sinônimo de “em cima do muro”. (O senador Mario Covas abortou aquela inclinação para embarcar no governo e salvou o PSDB de um vexame histórico com as denúncias que viriam a seguir e derrubariam o então presidente.)

É mais um capítulo do enredo de constrangimentos protagonizados pelo PSDB nos últimos anos, especialmente sob o comando do senador Aécio Neves. Nesse enredo incluem-se os gritos estridentes de linhagem udenista promovidos por Aécio desde o dia seguinte à reeleição de Dilma, os oportunismos demonstrados durante o processo de impeachment –o próprio Aécio se bandeou entre a estratégia do TSE, o processo na Câmara e o alinhamento com Eduardo Cunha, conforme as conveniências. Ao discurso raivoso e moralista de Aécio entre 2014 e 2016 contrapõe-se o constrangimento de vê-lo flagrado em conversas nada republicanas –para dizer o mínimo.

Desse jeito, os caminhos erráticos do PSDB com a sua social-democracia parecem se tornar um problema menor (como já pude escrever aqui, o PSDB é o único partido social-democrata do mundo que não acredita no Estado, abomina sindicatos e dialoga muito mal com movimentos sociais).

Com os últimos movimentos, os tucanos se mostram aplicados na tentativa de brigar contra a própria imagem: chegarão a 2018 ou abraçados a um governo cheio de máculas ou com a pecha de terem sido os maiores aliados de um governo que não terminou.

RODRIGO ALMEIDA ” BLOG PODER 360″ ( BRASIL)

Rodrigo de Almeida, 41, é jornalista e cientista político. Graduado em jornalismo pela UFC (Universidade Federal do Ceará), é doutor em ciência política pelo Instituto de Estudos Sociais e Políticos da Uerj.

CACIQUES TUCANOS APOSTAM QUE TEMER NÃO SE SUSTENTA

PSDB-Executiva-Alckmin-Tasso-Doria-FotoSergioLima-12-06-2017

Reunião ampliada da Executiva do PSDB no dia 12 de junho decidiu pela permanência o partido no governo

Para PSDB, o melhor era Temer ficar até o final, mas fraco

Do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso ao senador José Serra, passando pelo governador Geraldo Alckmin (SP) ­–para citar 3 expoentes do grupo que foi contra a saída imediata do governo–, o PSDB em peso ainda aposta que Michel Temer não se sustenta na Presidência da República.

SOBREVIVÊNCIA IMPROVÁVEL

“Basta 1 fato novo para ele cair. E nós sabemos que há muitos fatos novos por aí”, disse ao Poder360 1 dos integrantes da cúpula tucana. Indagado sobre o que FHC tem dito nas conversas reservadas, o mesmo tucano respondeu: “Essa é a opinião dele e de quase todos nós”.

De fato, outros caciques do PSDB fizeram a mesma avaliação ao Poder360. A maioria, no entanto, acredita que o melhor para o partido, em 2018, seria a permanência de Temer até o final do governo. Cada vez mais enfraquecido.

TASSO E OS CABEÇAS PRETAS

Os deputados que defendem a saída dos tucanos do governo foram em peso nesta 3ª feira (13.jun.2017) ao gabinete do presidente interino do partido. Queriam uma avaliação da reunião da Executiva que decidiu pela permanência no governo. Saíram convencidos de que é só uma questão de tempo para o rompimento. E que, até lá, a melhor estratégia é não rachar o partido.

TALES FARIA ” BLOG PODER 360″ ( BRASIL)

__

 

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s