A IDENTIDADE DO MISTERIOSO “EDGAR” DO ACERTO DA JBS COM O HOMEM DA MALA DE MICHEL TEMER

 

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A Época diz que a Polícia Federal identificou o tal “Edgar” que, nas gravações entre Rodrigo Rocha Loures e Ricardo Saud, da JBS, aparece como um possível intermediário na entrega do dinheiro a Michel Temer.

A Polícia Federal afirmou em seu relatório da investigação do caso Michel Temer (PMDB) que Edgar, citado como intermediário para receber propina para o grupo do peemedebista, é um empresário dos setores imobiliário e financeiro: Edgar Rafael Safdie. Os investigadores chegaram a essa informação por meio dos registros de ligações telefônicas do celular do ex-deputado Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR), filmado recebendo uma mala com R$ 500 mil de propina da JBS.

Ouvido pela PF, Edgar Safdie “reconheceu a relação de longa data que mantém com Rodrigo [Rocha Loures], rechaçando, no entanto, qualquer participação ou conhecimento dos fatos que estão sendo apurados”, aponta o relatório.

Mas Edgar tem mais predicados.

É, com certeza, parente de Edmundo Safdié, um banqueiro libanês de origem judaica, morto ano passado e dono dos Banco Cidade (vendido ao Bradesco) e do Banco Safdié, ons Edgar foi vice-presidente por quatro anos, segundo a Bloomberg.

Edmundo Safdié, tinha negócios que tiveram, na sua morte, a seguinte descrição na insuspeita revista Istoé Dinheiro:

A família Safdié se desfez de toda a sua operação no Banque Safdié em 2011, que foi vendido por 143 milhões de francos suíços para o banco Leumi, de Israel. O banqueiro também investiu em butiques de gestão de fortunas no Brasil e no exterior. Em 2003, criou a brasileira Multi Bank DTVM. A empresa mudou de nome para Safdié Private Banking e, posteriormente, Safdié Gestão de Patrimônio, até ser vendida para o banco Modal em 2014.

Os negócios da família Safdié estão reunidos no Grupo Bueninvest. A companhia possui uma participação de 3% na Helibrás. Safdié entrou no negócio em 1990, quando a empresa foi privatizada, e sua participação foi diluída ao longo dos anos após os investimentos feitos pelo grupo Airbus. Até hoje a holding Bueninvest pode indicar um assento no conselho de administração da Helibras.

O nome da instituição financeira de Safdié na Suíça chegou a ser citado em denúncias de desvio de dinheiro público. Em 2013, autoridades sequestraram 7,5 milhões de euros de contas no banco Safdié de Genebra que teriam sido utilizadas para o pagamento de propinas da Alstom a funcionários do governo de São Paulo em 1998.

Mas Safdié tinha outros negócios, também. Como os relatados por Monica Bergamo, na Folha, em julho de 2002:

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O banqueiro Edmundo Safdié, ex-dono do Banco Cidade, é o mais novo sócio de David Zylbersztajn na DZ, a consultoria que o ex-genro de Fernando Henrique Cardoso abriu quando deixou a ANP. Segundo James Corrêa, o terceiro parceiro, Safdié será “sócio investidor”.

EM FAMÍLIA 2

Safdié é o dono do apartamento de 470 metros quadrados, na rua Rio de Janeiro, em Higienópolis, que FHC pretende comprar por R$ 1,1 milhão. O imóvel tem quatro suítes e cinco vagas na garagem.

Mundo pequeno, este, não é?

Mas minha última homengem-pauta para os coleguinhas dos jornalões que queiram contar a história do “Edgar” é mais um negócio “bonitinho” dele, que está com a pinta de que vai se perder pelo nome.

Edgar é dono de uma empresa, holding de instituições não financeiras, chamada – eu juro e coloco aqui a certidão da Junta Comercial – “Acerto Participações“.

Quer dizer, era dono. Porque ela foi vendida para outra empresa, a Buena Esperança Participações que pertence a….Edgar…

FERNANDO BRITO ” BLOG TIJOLAÇO” ( BRASIL)

“EDGAR” VENDEU IMÓVEL SUPERFATURADO PARA FHC

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Edgar Safdié, apontado pela PF como o homem que seria acionado por Rodrigo Rocha Loures para receber propina da JBS, foi sócio da empresa que vendeu apartamento a FHC por 43% de seu valor de mercado. Seu pai, Edmundo Safdié, foi réu por lavagem de dinheiro em favor de Celso Pitta e teve seu banco envolvido no trensalão tucano

O Edgar que a Polícia Federal apontou em relatório ao Supremo Tribunal Federal como principal suspeito de ter sido acionado por Rodrigo Rocha Loures (PMDB) para receber propina da JBS em esquema envolvendo Michel Temer foi sócio da empresa que vendeu, em 2005, um apartamento ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB).

Edgar Rafael Safdié e seu pai, Edmundo Safdié, falecido no ano passado, controlavam a empresa Bueninvest, criada em 1990. Segundo informações da junta comercial de São Paulo, Edgar só deixou a sociedade em 2010, cinco anos após a venda de um imóvel em Higienópolis para FHC.

Em 2013 o GGN mostrou, em reportagem de Luis Nassif, que havia indícios de subfaturamento no apartamento adquirido pelo ex-presidente. Com pouco mais de 500 metros quadrados e quatro vagas para automóvel, a unidade foi arrematada por R$ 1,1 milhão, quando seu valor de mercado, à época, poderia chegar a R$ 2,5 milhões. Ou seja, FHC teria desembolsado cerca de 43% do valor de mercado.

A reportagem embasou representação ao Ministério Público Federal em São Paulo em março de 2016. A iniciativa foi dos deputados João Paulo Rillo e Teonílio Monteiro da Costa, ambos da bancada do PT na Assembleia Legislativa do Estado.

No pedido de investigação, os parlamentares destacaram que as suspeitas sobre FHC não poderiam ser ignoradas diante da devassa imposta ao ex-presidente Lula pela Lava Jato, por conta do sítio e do triplex que foram reformados pela Odebrecht e OAS.

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O procedimento investigatório criminal (PIC) chegou a ser instaurado em julho de 2016, mas o procurador da República Gustavo Torres Soares decicidiu arquivar a apuração contra FHC e Edmundo, por sonegação fiscal, lavagem de ativos e falsidade ideológica, em 30 de janeiro de 2017.

Soares alegou que relatórios solicitados à Receita Federal e ao COAF (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) não apontaram nenhum indício de fraude nas contas de FHC. Além de arquivar, o procurador determinou o sigilo dos autos por causa das informações fiscais do tucano.

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Nesta quarta (21), a assessoria do deputado Rillo sinalizou ao GGN que pretende recorrer da decisão de arquivamento e solicitar a reabertura da investigação, com base nas revelações feitas recentemente pela Lava Jato.

Apesar de não ser conclusivo, o relatório da Polícia Federal coloca Edgar Safdié como suspeito de ser acionado por Rocha Loures para operacionalizar o recebimento de propina junto a Ricardo Saud, executivo da JBS. Em conversa gravada pelo delator, Loures afirma que Edgar seria a “alternativa” para a transação, já que “outros caminhos estavam congestionados”.

À PF, Edgar negou que seja o homem procurado pela Lava Jato. Ele admitiu que fez uma doação à campanha eleitoral de Loures em 2006 e que tem relacionamento pessoal com o ex-assessor de Temer – a imprensa divulgou troca de mensagens de ambos sobre aulas de ski para crianças -, mas negou que tenha operado financeiramente para políticos ou partidos.

O relatório destacou, contudo, que Edgar Safdié esteve com Loures na véspera do encontro do peemedebista com Ricardo Saud. “De relevante, apenas, a informação de que esteve reunido com Rodrigo da Rocha Loures no dia 23/04/17, em São Paulo, véspera do nome ‘Edgar’ ter sido ofertado para operar valores advindos da JBS. Não houve tempo hábil para um maior aprofundamento dessa questão particular”, diz trecho do documento.

TRENSALÃO TUCANO

Na reportagem de 2013, Nassif destacou que o pai de Edgar, Edmundo Safdié, mantinha relações com tucanos que iam além de FHC. Edmundo chegou a ser investigado pela Polícia Federal porque o banco Leumi Private Bank da Suiça, antigo Multi Commercial Bank (da família Safdié), mantinha uma conta com o codinome “Marilia”, que abastecia o cartel dos trens de São Paulo. Alstom e Siemens depositavam nela a propina do esquema que desviou recursos públicos durante governos do PSDB no Estado.

“Veterano conselheiro de políticos”, Edmundo também foi réu por lavagem de dinheiro para o ex-prefeito Celso Pitta, em processo sigiloso.

Segundo informações recebidas pelo GGN, Edgar Safdié é hoje sócio de pelo menos 12 empresas:

* BUENA ESPERANCA PARTICIPACOES EIRELI

* OSCAR 585 DESENVOLVIMENTO IMOBILIARIO SPE LTDA.

* LCP – LATOUR CAPITAL PARTNERS DO BRASIL LTDA.

* LC1 DESENVOLVIMENTO IMOBILIARIO LTDA

* LATAM WATER PARTICIPACOES LTDA.

* LATOUR PROPERTIES PARTICIPACOES LTDA

* ILA GESTAO E ASSESSORIA HIDRICA LTDA.

* FLORIDA LATOUR I PARTICIPACOES LTDA

* LATOUR CAPITAL DO BRASIL LTDA
 *OSCAR FREIRE PARTICIPACOES LTDA.
  * LATOUR SECURITIES – SECURITIZACAO IMOBILIARIA S/A – EM LIQUIDACAO
   * LATOUR REAL ESTATE INVESTIMENTOS LTDA
A IDENTIDADE DE EDGAR
A identidade de Edgar foi questionada a Michel Temer na lista de perguntas enviada a ele pela Polícia Federal. Isso porque, na conversa com Saud, Rocha Loures sinalizou que Edgar seria um homem de confiança do presidente e que trabalha a partir de São Paulo. Temer, assim como Loures, nada disse à PF sobre as revelações feitas pela JBS no processo.
O GGN apontou, no início de junho, que Temer tem outro Edgar entre seus amigos. Trata-se do advogado Edgar Silveira Bueno Filho, que dividiu escritório com Temer nos anos 1990, em São Paulo.
O advogado é desembargador aposentado do Tribunal Regional Federal de São Paulo e foi presidente da Ajufe (Associação dos Juízes Federais) em 1993.
Hoje, ele apresenta-se como especialista em “agências reguladoras e concorrenciais”, justamente o assunto que causa dores de cabeça à JBS em órgãos como o Cade – onde Temer deu aval a Joesley Batista para sugerir mudanças, junto a Henrique Meirelles, de acordo com suas conveniências.
CINTIA ALVES ” JORNAL GGN/ LUIS NASSIF” ( BRASIL)
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