QUE RAQUEL DODGE O PODER NA PROCURADORIA VAI REVELAR ?

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Primeiro, uma ressalva: há um fator indeterminado que afeta os mortais quando nomeados para cargos relevantes, especialmente na área jurídica. Luiz Edson Fachin, Luís Roberto Barroso, Ayres Brito, Carmen Lúcia eram um, antes da indicação; depois, viraram outro.

A história de que a subprocuradora Raquel Dodge – escolhida para substituir o Procurador Geral da República Rodrigo Janot – era a preferida dos caciques do PMDB, de Gilmar Mendes, de Osmar Serraglio, da Joaquim Silvério dos Reis e Calabar foi uma invenção política do grupo de Janot em conluio com a Globo.

Aliás, se a corporação dos procuradores acreditasse minimamente nesses jogos de injúria, certamente não daria à Raquel a votação conquistada. Aliás, as jogadas acabaram por fortalece-la, em detrimento de outras candidaturas femininas afirmativas, como a de Ela Wiecko.

Aqui você tem uma explicação detalhada de outra jogada do gênero, armada por Janot para tentar caracterizar Raquel como inimiga da Lava JatoAqui, outra explicação das jogadas mais recentes da dobradinha Janot-Globo.

O que está em jogo são as denúncias contra a Globo na Justiça norte-americana, em função de crimes de corrupção na compra da Copa Brasil da CBF (Confederação Brasileira de Futebol).

Janot era garantia segura de que os inquéritos não caminhariam, justamente por ser um comandante inseguro.

Ao entrar no jogo de queimar Raquel Dodge, talvez a própria Globo tenha cometido um erro fatal.

O candidato de Janot, Nicolao Dino, é um procurador respeitável, mentor das tais 10 Medidas, mas sem muitas ousadias. É só conferir a maneira com que (não) reagiu às ofensas violentas de Gilmar Mendes no julgamento do TSE (Tribunal Superior Eleitoral). E no fato de, sendo o penalista de Janot, jamais ter ousado caminhar por mares onde pudessem circular tubarões de papel.

Já Raquel Dodge assumirá com a injúria lançando sobre ela a mancha da suspeita. O comportamento natural seria endurecer para comprovar sua independência.

Não se surpreenda se nesta 5a feira colunistas e reportagens de O Globo começarem a lisonjear Raquel, proclamando sua independência.

Não há nada mais previsível do que os movimentos articulados com que a Globo enquadra seus jornalistas.

 ..não há muito com o que comemorar

 

LUIS NASSIF “JORNAL GGN”( BRASIL)

QUEM ACHA QUE ELA SERÁ UM OUTRO ENGAVETADOR VAI QUEBRAR A CARA

Quem conhece de perto Raquel Dodge afirma que as apostas de que ela vai pisar no freio na Lava Jato são no mínimo equivocadas. O fato de ser apoiada por enrolados caciques do PMDB não pode ser comprado pelo valor de face. A própria atuação de Rodrigo Janot recomenda essa cautela.

Janot chegou ao comando da Procuradoria-Geral da República com o apoio decisivo da ala no Ministério Público mais identificada com o PT. Eugênio Aragão, último ministro da Justiça de Dilma Rousseff, foi um de seus principais cabos eleitorais.

Quando Janot endossou denúncias contra Lula e apoiou o impeachment de Dilma, essa turma se sentiu traída.

Como Rodrigo Janot, Raquel tem uma longa e impecável carreira profissional. No passado, eles inclusive jogaram no mesmo time. Depois, tornaram-se antagonistas.

Na campanha interna para a eleição da lista tríplice, Raquel virou o alvo a ser abatido pela turma de Janot, que tem forte militância na associação nacional dos procuradores. Pelo que se lia na imprensa, a impressão era de que Raquel, apontada como adversária da Lava Jato, poderia estar queimada entre os colegas.

Sua expressiva votação mostrou que os tais ataques não produziram os resultados esperados.

É que seus colegas a conhecem, acompanham sua dedicação ao trabalho, e sabem que ela é uma profissional metódica, competente e séria. E corajosa.

Quem acompanhou a força tarefa no Acre, chefiada pelo procurador José Roberto Santoro, conta como a franzina Raquel, a única mulher do grupo, impunha respeito ao tomar depoimentos de temidos assassinos do bando de Hildebrando Pascoal, aquele da motosserra.

Em Brasília, ela comandou a Operação Caixa de Pandora que prendeu o então governador José Roberto Arruda e escancarou a corrupção generalizada na capital do país. Nessa operação, teve problemas de relacionamento com a Polícia Federal. Os delegados a definiam como “mandona”.

Alguns de seus colegas no Ministério Público dizem que a avaliação dos policiais estava correta.

A praia de Raquel Dodge no Ministério Público nem era o combate à corrupção. Desde que lá chegou em 1987, seu foco foram os direitos humanos. Populações indígenas, Sistema Único de Saúde, preservação do meio ambiente e a pistolagem nos rincões do país foram sua principal pauta. O procurador Mário Lúcio Avelar, seu amigo, quase morreu numa das investidas contra a bandidagem no interior do Pará.

Trabalho escravo é um capítulo à parte. Ela se dedicou intensamente a causa. Ajudou a montar um banco de dados que deu eficácia a esse combate. Foi também sua tese de mestrado em Harvard.

O apoio de investigados, como José Sarney, Renan Calheiros e Michel Temer, evidentemente não é uma boa referência. Mas quem acha que, por causa disso, Raquel Dodge se tornará um Geraldo Brindeiro de saia vai quebrar a cara.

Raquel é uma das mais apaixonadas defensoras da instituição Ministério Público. Aprendeu isso em casa. Seu pai, José Ferreira, foi um respeitado promotor de Justiça em nossa Morrinhos.

Pode conferir.

ANDREI MEIRELES ” BLOG OS DIVERGENTES” ( BRASIL)

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