A PELEJA ENTRE O ECONOMISTA PAULO RABELLO DE CASTRO E O HISTORIADOR DE BOUTIQUE MARCO ANTONIO VILLA

É no mínimo curiosa a biografia de Paulo Rabello de Castro. Ele entrou no debate econômico no início dos anos 90, como um dos discípulos de Roberto Campos, ao lado de Paulo Guedes e outros.

Desde o início, mostrava ser o mais político (no sentido amplo) e de visão mais elaborada sobre desenvolvimento e ferramentas institucionais. Ao contrário dos colegas, não se fixava exclusivamente nas discussões sobre política monetária e fiscal.

Desenvolveu uma boa sensibilidade de mercado para trabalhar em cima de ajustes patrimoniais, comparações entre fluxos e estoques, com soluções criativas capazes de serem aplicadas por gestores mais ousados.

​No início dos anos 90, encampei uma de suas propostas, o encontro de contas no setor público, acoplado a um modelo de privatização através dos chamados fundos sociais – reconhecendo os passivos históricos da União, estados e municípios com os fundos sociais.

Enquanto não ganhou cor partidária, a ideia do encontro de contas foi aclamada por vários economistas, incluindo Maria da Conceição Tavares.

Na época, batizei de Plano K. Todos os economistas do governo com os quais conversava, incluindo André Lara Rezende, Pérsio Arida, Antônio Kandir, José Serra, concordavam com os princípios do plano. Não saiu porque a privatização já era um jogo de cartas marcadas.

Posteriormente, na grande crise política de FHC, no início do segundo governo, a ideia voltou a ser cogitada, mas exclusivamente para esvaziar o discurso dos governadores críticos do governo.

De lá para cá, Rabello de Castro se dedicou à economia agrícola, a uma empresa de rating – que nem sei se ainda existe -, e voltou à cena indicado presidente do IBGE por Michel Temer.

Nesse período todo, sempre foi uma usina de ideias criativas, mas não assimiladas por governantes. Ainda no IBGE apresentou um conjunto de propostas que, nas mãos de um governante de peso, ganhariam uma boa dimensão. Algumas dessas ideias foram apresentadas por terceiros a Nelson Barbosa, nos estertores do governo Dilma, mas aí sem nenhuma chance de vingar.

Ao longo de sua carreira, Rabello de Castro incomodava um pouco pela maneira um tanto excessiva de conquistar simpatias. Como os presentes que deu a Michelzão e Michelzinho quando indicado para o IBGE.

Mas são detalhes. No essencial, no BNDES, assumiu de imediato duas posições corajosas. A primeira, a reação contra a tentativa de acabar com a TJLP, uma proposta da equipe econômica de Henrique Meirelles que, na prática, significaria a destruição do papel de desenvolvimento do banco.

A segunda, a maneira desabrida com que desmascarou as tentativas de criminalização das operações do BNDES. E o fez da maneira mais educada e habilidosa possível. Foi ao centro do pensamento leigo raivoso, a rádio Jovem Pan, atendeu os egos dos entrevistados – atribuindo a eles o mérito da confecção do Livro Verde do BNDES, de resposta às acusações – e deu uma aula técnica, didática, paciente e corajosa sobre mecanismos de financiamento, mercado de capitais, as diferenças entre o lado técnico da JBS e a suruba de propina em que se meteram.

Veio de um técnico de Temer, sem nenhuma ligação com o PT, os esclarecimentos que, por arrogância acadêmica, outros presidentes do BNDES se recusaram a dar.

LUIS NASSIF ” JORNAL GGN” ( BRASIL)

 

 

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