O PACTO PARA SALVAR A CENTRO-DIREITA ENTRE MAIA E ALCKMIN

O governador de São Paulo Geraldo Alckmin durante evento de celebração dos 15 anos da SabespFoto:

Vanessa Carvalho/Brazil Photo Press/Folhapress

Ainda sob o enganoso remanso do recesso de julho, a política respira como quem se prepara para uma outra jornada de embates, conflitos e horrores — bem ao gosto do mês de agosto, o mês do cachorro louco e de tantas marcas na história do Brasil. Por enquanto, há tempo para outras articulações que não só da defesa do presidente Temer. As articulações de bastidores dão o tom desse período de inverno.

Muitas especulações em relação a 2018: o ex-presidente Lula e o deputado Jair Bolsonaro são os líderes das pesquisas. Mas, o tempo ainda é de olhar para meio, não para os polos. É para lá que o Democratas aponta seus olhos: aproveitando-se da notoriedade de Rodrigo Maia, do apodrecimento PMDB e da profunda crise de identidade do PSDB, os demistas avançam sob o terreno baldio que caberia aos tucanos: o centro.

O DEM quer crescer em tamanho e importância: aproveita-se por estar no governo e também por ter-se comprometido com Michel Temer muito menos do que os principais partidos da base: apoiou, ocupou espaços importantes, mas não se envolveu na mixórdia de escândalos e denúncias — não porque se destaque eticamente nesse terreno minado que é a política, mas porque ficou tanto tempo sem poder que perdeu relevância para isto.

De todo modo, torna-se agora um mercado atrativo para parlamentares que pretendem continuar sob a aba do governo federal qualquer que seja o destino do presidente da República.

Na defesa de Temer, no apoio às reformas, o DEM não falha, não claudica, mas, ainda assim, faz menos barulho, se expõem muito menos que o PSDB. Até porque acalentava sonhos mais singelos — sobreviver —, se comprometeu menos. A posição institucional de Rodrigo Maia lhe dá certo escudo político: não é vice, não tem compromisso moral e nem obrigação de ser fiel. Está apenas na expectativa.

Política também é sorte — a Fortuna, de que nos fala o maldito florentino da renascença. O vento do destino alçou o DEM à presidência da Câmara, a inabilidade dos tucanos não o soube conter e o resto é a história que se assiste, agora, ao vivo. Com o espaço estratégico ocupado por Rodrigo Maia, o DEM fica para o credo como quem diz ”vinde a mim o Diário Oficial”, coopta desgarrados e se prepara para crescer.

Se vier a assumir a presidência, Maia ficará pelo menos seis meses no comando, com a possibilidade de ser reconduzido via eleição indireta. Sua importância tática só aumenta. Pode ser caucionado pelo mercado, pode ser bom eleitor, pode ser bom vice. Pode ser neutro. O menos provável é que seja tão negativamente radioativo quanto Michel Temer. Seus horizontes se expandiram.

Com desdém, os adversários, é claro, o tratam ”Botafogo”, o codinome com que figurou na lista da Odebrecht. Também suas ligações com Moreira Franco, padrasto de sua esposa, e com o pai, César Maia, trazem desgaste. No mais, é do Rio de Janeiro, ”purgatório da beleza e do caos”, repositório de relações perigosas. Tudo o que, nesse instante, configura fragilidades e risco. Mas, com apenas 47 anos, seu futuro é imenso.

Sabedores disto, com olhos no amanhã, demistas avistam Geraldo Alckmin em busca de acordo e alianças. Desgarrado do requinte intelectual e dos chiquês de parte da elite de seu partido — e para alguns de seus adversários internos, um intruso favorecido pela sorte —, o governador pode abrigar e ser abrigado pelo DEM muito melhor que qualquer outro. E não seria a primeira vez.

Alckmin é o que vai restando do centro do espectro político, desidratado com a calcinação do PMDB, de Aécio Neves e de José Serra. É visto como alternativa moderada, num campo de manutenção da política econômica do mercado e da preservação de um ambiente de liberdades democráticas, ao menos.

É claro que tem passivos: um cunhado arrolado pela Lava Jato — cunhado é sempre figura difícil de explicar —, a proeza de, em 2006, ter perdido votos entre o primeiro e o segundo turnos da eleição presidencial (provavelmente, um feito mundial) e o fato de seus governos em São Paulo não serem nenhuma Brastemp em obras e realizações.

Mas, ainda assim, é entendido como mais confiável que o imprevisível prefeito da Capital — menos dado a arroubos nas redes sociais e mais aberto ao diálogo. Como as raposas do passado, de uns tempos para cá, Alckmin fala pouco, se expõe menos ainda; se movimenta com cuidado, exercita a necessária ambiguidade. Até hoje não se sabe o quanto, de fato, apoia Michel Temer, mas está claro que não morre pelo presidente.

Nesse tempo de paradoxos, de frio e mormaço no recesso, uma tentativa de recomposição do centro, pela direita, se esboça na posição estratégica de Rodrigo Maia, nos movimentos do DEM e nos silêncios calculados de Geraldo Alckmin. Pode ser romance de veranico, mas também pode ser que não. Suficiente para reordenar o jogo e romper a polarização? O tempo dirá.

CARLOS MELO ” BLOG DO CARLOS ( BRASIL)

Carlos Melo, cientista político. Professor do Insper.

 


 

CACIQUES DO DEM E DOS TUCANOS DECIDEM SALVAR TEMER

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Em jantar com Alckmin DEM e PSDB adiam desembarque do governo

Ruas vazias espantaram o medo de votar pela derrubada do processo

“Michel Temer fica até o fim do mandato”. Essa frase, ouvida pelo Poder360 de 1 dos presentes, resume o saldo do jantar de 2ª feira (24.jul.2017) no Palácio dos Bandeirantes. O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, o mais poderoso dirigente do PSDB no momento, recebeu a cúpula do DEM para afinar o discurso.

Os caciques dos partidos vão trabalhar para que o presidente consiga se salvar já na semana que vem, em 2 de agosto, quando deve ser votada na Câmara a admissibilidade da denúncia por corrupção passiva contra Michel Temer.
Os comensais no Bandeirantes consideraram o seguinte:

Michel Temer se mexeu – o presidente atuou no campo no qual é especialista: agradar congressistas com cargos e liberação de emendas;
Centrão mordeu a isca – os partidos que 1 dia estiveram com Eduardo Cunha enxergaram uma janela de oportunidade. Salvarão Temer e devem sair com os bolsos cheios de cargos e verbas;

Ruas vazias – a completa ausência de manifestações orgânicas pela queda de Temer é outro fator que anima os deputados a salvar o presidente sem medo de retaliação nas urnas;

PT pró-Temer – o maior partido de oposição do país está interessado em manter o presidente fragilizado na cadeira, pois assim acha que tem mais chances nas eleições de 2018.

Estiveram com Alckmin estes demistas: Agripino Maia (senador e presidente nacional do DEM), Rodrigo Maia (presidente da Câmara), ACM Neto (prefeito de Salvador), Mendonça Filho (ministro da Educação) e os deputados Rodrigo Garcia (secretário da Habitação de São Paulo) e Efraim Filho (líder da legenda na Câmara).

O QUE PODE DAR ERRADO

Uma nova denúncia fortíssima contra Michel Temer poderia mudar o jogo. O PSDB e o DEM enxergam essa hipótese como improvável. Por quê? Eis o que o Poder360 ouviu de quem estava ontem no jantar no Bandeirantes:

“MAIS DO QUE A MALA NÃO HAVERÁ”

“Hoje temos 5 pessoas importantes que estão presas ou em prisão domiciliar: Eduardo Cunha, Geddel Vieira Lima, Henrique Alves, Lúcio Funaro e Rodrigo Rocha Loures. Todos podem talvez contar boas histórias sobre o PMDB e o presidente. Mas terão provas diretamente atingindo Michel Temer? É difícil. E olhe que a situação está controlada agora após o vídeo de uma mala de dinheiro sendo puxada por 1 assessor direto do presidente. Mais do que a mala não haverá”.

ANÁLISE DE CONJUNTURA

Todos no jantar falaram sobre a conjuntura. Eis 1 resumo do pensamento mais ou menos consensual de Alckmin e de seus convidados do DEM:

PSDB fica com Temer – seria precipitado e inconveniente os tucanos saírem oficialmente da administração federal;

Rodrigo Maia acertou na estratégia – ao “jogar parado” no momento mais agudo da crise, o presidente da Câmara se preservou. Com Temer permanecendo no Planalto, a relação entre ambos ficou protegida;

Reformas devem andar – essa é a única saída vista por PSDB e DEM para ter alguma sobrevivência política agora e em 2018. As siglas devem aprofundar o discurso da chamada “modernização” do país;

2018 e desembarque – estar ao lado de Temer no ano que vem preocupa a todos. A hora de abandonar o barco, se isso ocorrer, será na virada de 2017 para 2018.

“DORIA? QUE DORIA?”

A possibilidade de o prefeito de São Paulo, João Doria, ser candidato a presidente em 2018 foi 1 “não assunto” no encontro entre Alckmin e DEM.

Democratas: espetáculo do crescimento

O partido dá como certo que termina 2017 com mais de 40 deputados federais. Hoje, tem 29.

Governadores e senadores

O crescimento do DEM será além da Câmara. Senadores também devem entrar na legenda. Entre governadores, quem já está em conversas avançadas para embarcar é Paulo Hartung, do Espírito Santo e hoje no PMDB.

PUBLICADO PELO ” BLOG PODER 360″ ( BRASIL)

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