CONSIDERAÇÕES SOBRE A ARMAÇÃO DE QUE FOI VÍTIMA WILIAM WAACK

 

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No GGN e no Facebook meu artigo sobre William Waack bombou de críticas pesadas. Consideram que coloquei o coleguismo acima do fato, que todo mundo está falando do racismo, logo não teria motivo para apresentar outros ângulos da sua personalidade.

Tenho dentro de mim um anjo (seria diabo?) provocador, que detesta até o fundo da alma os movimentos de manada, os linchamentos seja contra quem for.

Em um exercício de autoanálise, vou tentar entender porque ajo assim, em vez de embarcar nas asas da unanimidade.

​Antecipadamente, explico que não tenho nenhuma relação pessoal com Waack, com quem cruzei uma ou duas vezes em eventos, limitando-nos a meros cumprimentos. Nossa última conversa foi justamente aquela narrada no artigo, lá pela segunda metade dos anos 80.

Também não aprecio seu radicalismo no exercício do jornalismo. Um intelectual pode ser radical na defesa de suas ideias, não o jornalista, a quem cabe levar informações amplas ao seu público.

A primeira razão para fazer o contraponto é romper com o quadro de informação monofásico. Se todos batem no racismo de Waack, qual a contribuição para as informações do exercício de repisar o mesmo tema? Apenas mostrar que sou mais um dos muitos indignados com o racismo.

Daí a iniciativa de mostrar ângulos positivos de sua personalidade, que eu mesmo testemunhei. Se a unanimidade fosse em relação à louvação, a novidade seria apresentar o contraponto negativo. Tudo pela ampliação das informações, não pela redundância.

A segunda razão é o respeito pelo sujeito caído. Quando fui alvo da mais incessante campanha de difamação já ocorrida na Internet, alimentada por blogueiros da Veja, em um período em que havia pouco contraponto e que a Veja infundia medo – porque Roberto Civita autorizou seus jornalistas a investirem sobre qualquer colega que ousasse fazer o contraponto e os demais veículos não davam o direito do revide -, nenhum desses colegas teve coragem de sair em minha defesa. Ao investir no contraponto, no caso Waack, tento apenas me mostrar melhor do que eles.

A terceira razão é que Waack foi nitidamente alvo de uma armação. A partir dela, está fora do jogo. Qual é o sentido prático de bater em quem não conta mais? Apenas explicitar o ódio que condenamos aqui, quando perpetrado pela direita? Se bradamos que defendemos a civilização contra a barbárie, qual a razão para nos comportarmos como os bolsominions, os Augustos e companhias?

Muito mais proveitoso é saber quem armou e por que abandonou o companheiro ferido no campo de batalha. E entender que os males brasileiros não estão nos jornalistas que, por convicção ou oportunismo, tornam-se raivosos e linchadores para atender à demanda da mídia por ódio e rancor – e, no caso do Waack, a radicalização era por convicção. Tenho respeito pessoal e profissional por pessoas que se impõe pela própria personalidade e competência, e não pelo jogo de mesuras aos chefes. E , mesmo discordando da maior parte de suas ideias, admito que Waack é dessa natureza, assim como Olavo de Carvalho – muito melhor do que os que copiaram seu estilo, manias e preconceitos, para se oferecer ao novo mercado que se abria.

O problema é quem define as regras do antijornalismo.

Talvez a Globo tenha entendido que seu objetivo político se torna mais palatável com o proselitismo revestido de uma vestimenta mais neutra. Talvez tenha sido mais um capítulo da disputa interna por poder. Mas a Globo continuará a ser a questão nacional por excelência, não seus jornalistas.

De qualquer modo, o episódio me remete à decisão profissional mais fácil que tomei em minha vida: recusar um convite da Globo para ser comentarista, lá pelos idos de 1987. Havia um almoço me esperando, com o Alberico, Alice Maria – a notável criadora da Globonews. Antes, recebi um telefonema do Paulo Henrique Amorim, com quem já trabalhara na Veja, me cumprimentando.

Pensei pouco e recusei. Aceitar mudaria minha vida imediatamente. Me tornaria conhecido em todo o país, abriria um amplo mercado de palestras etc. Preferi ficar com meu programa Dinheiro Vivo, na TV Gazeta.

Duas razões pesaram. A primeira, saber que minha opinião seria restringida pela linha editorial da Globo. A segunda, o medo de ficar amarrado a um bom emprego e me acomodar. E, em um dia qualquer do futuro, ser surpreendido com uma demissão humilhante, por um motivo qualquer. Na época, não imaginei que as novas tecnologias abririam a possibilidade de estratagemas sofisticados, de vazar conversas para as redes sociais.

LUIS NASSIF ” JORNAL GGN” ( BRASIL)

 

OS EX-FUNCIONÁRIOS DA GLOBO QUE FIZERAM O SERVIÇO PARA O PATRÃO

 

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Foram dois jovens negros, um deles ex-funcionário da Rede Globo, os autores do vazamento do vídeo de William Waack fazendo comentário racista nos bastidores de uma transmissão sobre as eleições estadunidenses, no ano passado. Diego Pereira era operador de VT na emissora e teve contato com o material.

Tanto Diego quanto o designer gráfico Robson Cordeiro se disseram indignados com o teor da fala de Waack, que atribuiu um protesto de rua com buzinas à “coisa de preto”.

Eles afirmaram à rádio Joven Pan que chegaram a entregar o vídeo a jornalistas, ainda no ano passado, mas o caso teria sido abafado com a desculpa de que Waack não era William Bonner, ou seja, o episódio racista não teria nenhuma repercussão.

Veja, abaixo, trecho da reportagem da Jovem Pan.

A Jovem Pan conseguiu conversar com exclusividade com os responsáveis pelas imagens. São eles: o operador de VT Diego Rocha Pereira, 28; e o designer gráfico Robson Cordeiro Ramos, 29. Ambos também são produtores de uma festa de música negra na cidade de São Paulo.

A imagem original foi obtida por Diego, que é ex-funcionário da Rede Globo. De acordo com ele, a equipe de link externo se preparava para a entrada de Waack com um consultor. Para quem não sabe, mesmo quando não está sendo transmitido na televisão, os operadores têm acesso às imagens do link. “Tudo aconteceu enquanto a produção estava colocando o microfone nele”, explica Diego. “Eu ainda voltei as imagens para ter certeza, não estava acreditando que ele teria falado aquilo. Fiquei tão revoltado que filmei com meu celular”.

Já a divulgação do vídeo foi feita por Robson. “Soltei o vídeo em um grupo de líderes do movimento negro”, afirma. “Mas não foi premeditado essa repercussão, a ideia era mostrar para os amigos que um jornalista influente como ele também poderia ser racista”.

Indagados porque só divulgaram o vídeo agora, quase um ano depois, ambos explicam que já haviam mostrado isso para a imprensa, mas não teve a mesma repercussão de agora. “Chegamos a ouvir, ‘se não é do William Bonner’, não interessa”, diz Ramos.

A dupla também rebate os comentários negativos que estão surgindo na internet. “Se nosso objetivo fosse fama ou dinheiro, teríamos feito antes”,  diz Ramos.

Diego afirma que chegou a perdeu o material em um determinado momento. “O vídeo original ficou em um celular que perdi durante o Carnaval. Mas o Robson tinha ele em um backup, quando foi atualizar o telefone recentemente, o vídeo apareceu”, detalha o operador de VT.

PUBLICADO PELO “JORNAL GGN” ( BRASIL)

O CASO WAACK E O TEMPO DE FOGUEIRAS

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O caso William Waack não se encerra com seu afastamento do Jornal da Globo. Diante da tempestade na Internet, nas próximas horas a emissora deve apresentar uma solução definitiva para o problema criado pela divulgação do vídeo em que ele parece ter proferido frases racistas.

Ele foi afastado, diz a nota da TV Globo, “até que a situação seja esclarecida”. Não faltam recursos técnicos que permitam o esclarecimento. Confesso ter dúvidas sobre o que ele realmente disse, em função da baixa qualidade do áudio, embora quando a cena é apresentada com legendas, o reforço da leitura labial sugere que foi aquilo mesmo. “É preto. É coisa de preto”.

Na cena, ele deduz que só podia ser um preto a pessoa que disparava uma buzina, atrapalhando sua gravação ou entrada ao vivo. E isso significa pensar o seguinte: só um preto pode ser tão mal educado, inconveniente e incivilizado para buzinar assim sem necessidade. E isso é racismo, algo que o Brasil definitivamente não tolera mais. Ainda mais vindo de um jornalista com a projeção que ele tem. Mas é claro que se fosse outro, e não Waack, que tem a cara da Globo e é notório pela emissão de opiniões políticas que colidem com uma parte do Brasil – a que foi contra o impeachment, por exemplo – as reações talvez não tivessem sido tão fortes.

A TV Globo já deve ter chegado a uma conclusão. Mas de qualquer forma, Waack é uma bruxa que já foi queimada por uma parcela da opinião pública mobilizada.

Hoje em dia no Brasil, quase todos os dias uma bruxa é queimada. Na terça-feira Judith Butler, uma respeitada filósofa norte-americana, foi alvo de protesto fascista na abertura do seminário “Os fins da democracia”, no Sesc Pompeia de São Paulo, onde não faltou a queima de um boneco com sua cara, sob gritos de “queima, bruxa”. Ela falaria da questão Israel-Palestina, mas foi atacada como defensora da “ideologia de gênero”, expressão criada pelos grupos do moralismo ultraconservador para identificar os que defendem o respeito à diversidade sexual. Mais de 350 mil pessoas assinaram uma petição na Internet pedindo o cancelamento do seminário.

Os dois casos são distintos, não podem ser comparados, mas as iras que desataram falam de uma sociedade rachada em bandas antagônicas, que andam nos casos, loucas para acertar contas com o outro lado. É neste clima que vamos para a eleição presidencial.

TEREZA CRUVINEL ” BLOG 247″ ( BRASIL)
  WAACK FOI VÍTIMA DO FOGO AMIGO DA DIREÇÃO DA GLOBO

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A Globo já afastou William Waack da apresentação do Jornal da Globo, numa decisão tão contundente quanto rápida. Na nota, disse que “é visceralmente contra o racismo em todas as suas formas e manifestações”.

A Revista Fórum se não foi o primeiro veículo a publicar a história, foi um dos primeiros. Porque a história surgiu no Twetter e o redator, Julinho Bittencourt, por um acaso, seguia alguém que teve acesso ao vídeo logo que foi postado.

Antes de autorizar a publicação, assisti ao vídeo algumas vezes. Autorizar uma publicação dessas não é uma decisão fácil. Mas não havia chance de aquele vídeo ter sido editado. A redação da Fórum decidiu então por publicá-lo.

Depois dessa decisão, a apuração continuou. Quem era a pessoa que estava com Waack e que, de certa forma, mesmo constrangido, deu risada da frase racista de Waack? Fórum fez uma matéria para explicar quem era Paulo Sotero.

E fomos dando toda a repercussão do caso, até a queda de Waack que foi prevista neste blogue logo ao final tarde. Quem está na rede há muito tempo, sabe que uma tsunami dessas não pode ser contida nem pela toda poderosa Globo. Foi um massacre.

Mas antes mesmo de Waack cair conversei com uma pessoa que trabalhou na Globo por mais de uma década e que me garantiu ter conversado com alguns colegas da emissora. Sua tese: isso tem cheiro de golpe.

Waack é um profissional caro e chato. Ninguém mais na Globo o suportava. Nem mesmo a audiência. Nem mesmo Ali Kamel. Mas Waack é alguém que tem um certo poder e demiti-lo sem mais nem menos não seria tarefa fácil nem pra Kamel.

Como Waack sempre faz esse tipo de graça canalha, qualquer um que quisesse detoná-lo, saberia que uma pesquisa iria revelar vídeos como este.

Ou ainda, essa pessoa pode ter guardado este vídeo para o momento oportuno.

Ou seja, agora começa uma nova apuração. Quem soltou este vídeo racista de William Waack? E com que interesse?

Não é algo tão difícil de descobrir e pode ser algo tão demolidor quanto o próprio vídeo.

 

RENATO ROVAI ” REVISTA FÓRUM” ( BRASIL)

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