TUCANOS TROCAM PUNHOS DE RENDA POR LUVAS DE BOXE

 

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Como já escrevi aqui, o muro sempre foi a melhor opção dos tucanos para evitar bolas divididas. Ali, eles se ajeitam, evitam confrontos, e de alguma forma se protegem. Talvez esteja no DNA deles.

Essa capacidade de se acomodar é um dos segredos para a longa sobrevivência do PMDB. Por mais que reneguem, os tucanos são a única cria de sucesso do PMDB — um partido em que se briga muito, mas sempre continua junto e misturado.

Os tucanos, agora, recolheram seus punhos de renda e partiram para a briga. Com previsto, seria difícil apartar os “coronéis” Aécio Neves e Tasso Jereissati.

O tom foi subindo. Até que Aécio, com o apoio da banda governista, deu uma rasteira em Tasso e o destituiu da presidência interina do PSDB. A ala oposicionista do partido virou uma arara. “O PSDB desses caras não é o meu”, cravou Tasso.

Pode se acusar Aécio de tudo, menos de ser esperto. Ele poderia passar o bastão para um dos vices que apoiam Marconi Perillo. Preferiu escalar Alberto Goldman para substituir Tasso.

Mesmo ligado a José Serra, Goldman tem voo próprio.

Há uns 20 dias, ele deu uma palestra na Casa do Saber, em São Paulo. Ali espancou os principais líderes de seu partido. Disse que a direção do PSDB, que agora vai presidir por um mês, é composta por caciques e coronéis. E citou dois deles: Aécio e Tasso.

Sobre Aécio: “Ele não é qualquer um. Teve quase 50 milhões de votos em 2014”. Depois da gravação de sua conversa com Joesley Batista, Aécio perdeu esse cacife. Nas palavras de Goldman, virou “uma figura extremamente danosa para o PSDB”.

O candidato de Goldman ao Palácio do Planalto é Geraldo Alckmin. Sem muito entusiasmo. “Ele não é uma grande figura de expressão, não é uma liderança nacional, mas é o que se tem”, justificou.

Com João Doria, Goldman protagonizou um grande bate-boca. Voou penas para todos os lados. Ele não tinha nada a perder. Doria tinha e perdeu. Virou um marco do inferno astral em que Doria mergulho e não dá o menor sinal de que vá emergir.

Mais do que essas rusgas, o clima entre os tucanos é de guerra. O partido pode implodir na convenção nacional em dezembro.

Ou não.

Mesmo que pareça improvável, se o DNA falar mais alto pode ser que, mesmo se os bicos ficarem curvos, apareça um tertius capaz de promover uma trégua no ninho.

Só dois tucanos podem desempenhar esse papel: o aposentado Fernando Henrique, que não topa, e Geraldo Alckmin, se resolver encarar essa parada indigesta.

A conferir.

ANDREI MEIRELES ” BLOG OS DIVERGENTES” ( BRASIL)

ENTRE OS PRINCÍPIOS E O PRAGMATISMO

GA

Não se trata de predileção, menos ainda fixação; apenas o dever de ofício. Escrever, em menos de quinze dias, três artigos a respeito do PSDB é mesmo dose pra leão. Mas, o fato é que a legenda merece atenção: desde a fundação, em 1988, ocupa espaço político central. Além disso, os caminhos que vier a tomar serão importantes para o destino do sistema político e para a eleição de 2018. Logo, ficar de olho nos tucanos é preciso. Viver não é preciso.

Como se sabe, o PSDB vive o seu ”paga pra capar”. Há na legenda uma disputa visceral entre grupos que dificilmente se acomodarão entre si; são visões de mundo e interesses múltiplos pouco ou nada conciliáveis. Mas, nenhum dos lados entregará ao ouro, sem resistência, o controle da máquina partidária. A luta é renhida e jogo interno é complexo.

Neste momento, há pelo menos três correntes com interesses e estratégias diversas; de um modo geral, poderiam ser classificadas como: pró-governo, os favoráveis ao desembarque e, por fim — nem um, nem outro — os radicalmente pragmáticos.

Entre os ”pró-governo” há um pouco de tudo: gente de fato preocupada com a agenda econômica do país, ainda empenhada num processo inevitável de reformas fiscais que avalia como fundamental. Mas, há também os que se apegam a cargos e recursos públicos, de olho nas vantagens e efeitos eleitorais do poder. Por fim, um terceiro grupo que representa mais alinhado com o sistema político mais decadente: os que buscam proteção, no poder — ou protelação —, contra ameaças no âmbito da Justiça. Para esses, não há mea culpa a fazer; apenas uma luta a vencer.

Estes dois últimos setores se confundem com o PMDB, como muita gente já apontou e Fernando Henrique Cardoso ressaltou em seu artigo do último domingo.

Por sua vez, há no grupo que pretende desembarcar do governo também muita diversidade. Com efeito, existem aqueles voltados a valores e princípios, que compreendem que o governo perdeu credibilidade política e moral, o que justifica a retirada dos tucanos — independe das reformas que igualmente entendem necessárias. Trata-se de conduzir a legenda a outro porto, com outras normas, posturas e princípios. Fazer uma revisão e a mea culpa de modo a se purgar dos males.

Mas, tampouco nesse campo deixam de estar presentes os pragmáticos: aqueles que entendem que o governo Temer esteja tão desgastado que não haverá cargo ou benesse capaz de compensar o desgaste eleitoral de permanecer ao seu lado. Não há qualquer consideração moral, apenas algumas evidências e muita intuição política, desenvolvida no contato com as bases. Preferem se afastar.

No terceiro grupo estão os pragmáticos no mais alto grau, os radicalmente pragmáticos. Os que calam e fazem cálculos: onde mais se ganha, onde mais se perde. O menor custo e o maior ganho. Para estes, o melhor seria juntar as perspectivas: as vantagens de estar no governo — no uso da máquina e na associação com o aparelho eleitoral do PMDB —e, ao mesmo tempo, a vantagem do discurso ético, além de eventuais ganhos que possam advir da economia.

Em resumo, descolar do governo, apenas na hora certa, sem traumas, nem romper vínculos e possibilidades de alianças eleitorais com o PMDB e os eventuais resultados do governo. Os que preferem deixar o governo, em março. De todo modo, os pragmáticos — sejam pró ou contra o governo ou radicalmente pragmáticos — são maioria. Não de estranhar. Política é, na maioria das vezes, isso: pragmatismo.

***

Como se sabe, o PMDB é dono de um invejável patrimônio eleitoral: em 2016, elegeu 1.026 prefeitos, 7.551 vereadores; possuirá o segundo maior tempo de televisão, entre todos os partidos. Há que considerar também o fato de deter inúmeros cargos federais, com influência política e dotação orçamentária. E, assim, em que pese o ônus da ”marca” e a impopularidade do presidente da República, o dote que o PMDB entregará ao parceiro, em 2018, não é nada desprezível, eleitoralmente falando.

Esse dado de realidade é o que mais atormenta alguns próceres do tucanato: o aparato eleitoral atende a razões que o pragmatismo não desconhece. A ambiguidade das declarações e as evasivas do governador Geraldo Alckmin devem ser lidas, antes de tudo, por entre este prisma.

É provável que o governador esteja longe de nutrir qualquer simpatia pelo governo Temer; menos ainda que tenha compromisso com os que fogem da lei. Mas, candidato quase certo do PSDB, à presidência da República, é forçado a pesar prós e contras sob a ótica do pragmatismo.

É evidente que quer o PMDB consigo, com todos ou quase todos os seus recursos. Mas, o melhor seria que viessem por gravidade: numa condição dependente, sem comprometer ou levar o governador ao desgaste. De modo a que possa dizer: ”apoiam a mim, não eu a eles”. É clássico na política nacional que não se recuse apoio — ainda que não se deixe enforcar por ele. Busca-se o melhor de dois mundos.

(Não é muito diferente de setores do PT que hoje se aproximam de grupos que ontem chamavam de ”golpistas”).

***

Enfim, o maior pesadelo de Geraldo Alckmin deve ser imaginar a fortuna eleitoral do PMDB ser repassada ao prefeito de São Paulo, João Doria, numa eventual mudança de partido. Não apenas Doria; Henrique Meirelles também. Ambos, no mesmo campo que Alckmin, teriam condições eleitorais, no mínimo, competitivas em relação a ele. Entende-se, assim, as reticências e vacilos do governador.

Como na vida, na política é igualmente impossível ter apenas o melhor de cada mundo. Ninguém escolhe apenas a favor; escolher é escolher contra. Na escola que Alckmin tem estudado, Michel Temer, Romero Jucá, Wellington Moreira Franco e Eliseu Padilha são professores, escreveram a cartilha. E, claro, sabem como usá-la. Não deixarão o governador livre para decidir apenas o melhor para si. Quando namora, o PMDB quer compromisso e somente casa em comunhão de bens — o PT aprendeu a duras penas isto —, caso contrário, agarra-se a outro consorte.

***

Assim, o caminho de Tasso Jereissatti e seus companheiros agora na oposição não será suave. Lutar contra o governo e contra o PMDB supõe custos inegáveis para muitos de seus correligionários; o retorno não pode ser pequeno. Os pragmáticos radicais fazem cálculos, ganham tempo. E por isso não lhes interessa resolver o jogo apressadamente. Sabem que podem definir a parada para um lado ou para o outro.

Os antigovernistas do PSDB devem, portanto, ter isso em mente: se da disputa da convenção de 09 de dezembro se der pela exclusiva lógica do aparelho eleitoral, o mais provável é a procrastinação — ou até a vantagem pró-governo. Se não buscarem a pressão e o apoio de fora para dentro — recorrendo à base tradicional e à sociedade — a derrota será o resultado mais provável. O pragmatismo eleitoral brasileiro é implacável.

Carlos Melo, cientista político. Professor do Insper.

A BRIGA DE FOICE DOS TUCANOS TEM AINDA MUITA COISA NO ESCURO 

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A crise no PSDB é uma briga de foice em que muita coisa é e mantida no escuro.

A reação de Doria a favor de Aécio e a de Geraldo Alckmin, contra, mostrou que não existe a trégua entre ambos.

O evidente alinhamento a Temer da ala aecista deixa claro que se quer, no mínimo, uma aliança com Temer, senão a possibilidade de dar-lhe um candidato.

Alckmin quer uma candatura “independente”, mas que não se acanha em receber o apoio temerista.

Fernando Henrique quer uma aliança pragmática, com um candidato novo, da Globo. Vê com bons olhos a aventura Huck. Como com Collor, acredita que um tucano na Economia “fará o serviço”.

Serra é um coringa. Topa qualquer parada, se isso lhe der projeção.

A convenção tucana, daqui a um mês, seria, em tese, favorável a Tasso, se o voto dos delegados paulistas fosse unânime.

Mas está longe de ser, mesmo com a composição quee se alcançou por lá.

Há votos alquimistas, doristas, serristas e fernandistas.

Em princípio, nessa ordem.

A tucanésima Vera Magalhães, no Estadão, reduz a plavras o estiolamento do PSDB:

Sem se preocupar em apresentar uma agenda ao país, envolto em sua eterna indecisão hamletiana sobre ser ou não ser governo e usado como bunker por um presidente mais preocupado em manter o foro privilegiado que com a reputação da sigla que comanda, o PSDB pode deixar de ser, em 2018, uma alternativa de poder. Mesmo tendo, hoje, os dois nomes mais aceitos pelo “establishment” para a sucessão de Temer.
E toda essa pororoca de infortúnios, diferentemente das do PT e do PMDB, foi autoimposta. Os tucanos agem como adoradores de Jim Jones.

O PSDB histórico acabou-se com Aécio-2014, que o tornou o PSDB histérico e golpista.

FERNANDO BRITO ! BLOG TIJOLAÇO” ( BRASIL)

 

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